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Crase no ENEM: quando usar, quando evitar e as dúvidas mais comuns

A crase é um dos temas de gramática que mais gera dúvidas — e mais aparece em questões do ENEM e de concursos públicos. O acento grave (`) que indica a crase não é um sinal de pontuação aleatório: ele marca a fusão da preposição 'a' com o artigo definido feminino 'a' (ou com pronomes demonstrativos). Entender a lógica da crase elimina a maior parte das dúvidas.

O que é crase e quando ela ocorre?

Crase é a fusão (contração) de dois 'a': a preposição 'a' + o artigo definido feminino 'a' = à. Para que haja crase, é preciso que dois elementos se somem: (1) uma preposição 'a' exigida por um verbo, nome ou expressão; e (2) um artigo feminino 'a' antes do substantivo feminino seguinte. Se faltar qualquer um dos dois, não há crase.

Teste prático para identificar a crase: substitua o termo feminino por um masculino equivalente. Se na versão masculina aparecer 'ao', na feminina haverá crase (à). Exemplo: 'Fui à escola' → 'Fui ao colégio'. O 'ao' confirma que havia preposição + artigo → crase correta. Se aparecer apenas 'a' no masculino, sem artigo, não há crase. Exemplo: 'Estou a postos' → 'Estou a postos' (não existe 'ao postos') → sem crase.

A crase ocorre: antes de substantivos femininos que admitem artigo definido; antes de locuções femininas (à toa, às vezes, à tarde, à meia-noite, às pressas); antes de pronomes demonstrativos 'aquela(s)', 'aquele(s)', 'aquilo' quando há fusão com preposição 'a' (àquela, àquilo).

Quando NÃO usar crase: as regras do ENEM

Não há crase: antes de verbos ('Fui a comprar pão' — verbos não têm artigo); antes de substantivos masculinos ('Fui a pé', 'Refiro-me a Pedro'); antes de pronomes pessoais, de tratamento (exceto 'senhora' e 'senhorita') e indefinidos ('Disse a ela', 'a nenhuma', 'a qualquer'); antes de 'uma', 'cada', 'certa' (artigos/pronomes indefinidos); após preposições (exceto 'até', que pode admitir crase em casos específicos); em expressões de sentido geral ou indeterminado ('a cavalo', 'a pé').

Casos que geram mais dúvidas: 'à medida que' (correto) vs. 'na medida em que' (correto) vs. 'à medida em que' (errado — mistura dois regimes); 'em relação à questão' (crase porque 'relação' exige preposição 'a') vs. 'quanto à proposta' (crase); 'distância' — 'à distância de 10 km' (crase) vs. 'a distância foi medida' (sujeito, sem preposição, sem crase).

Crase facultativa e casos especiais

A crase é facultativa (pode ou não ocorrer sem erro): antes de nomes próprios femininos de pessoas ('Escrevi a/à Maria'); antes de pronomes possessivos femininos ('Refiro-me a/à sua proposta'). Na dúvida, é mais seguro usar a crase nos casos facultativos — a norma culta aceita ambas as formas.

No ENEM, as questões sobre crase geralmente aparecem embutidas em questões de reescrita de frases ou de identificação do uso adequado da norma culta. A crase raramente é cobrada isoladamente — está inserida em textos onde o candidato precisa analisar a correção do emprego. Para estudar crase no contexto mais amplo da Língua Portuguesa, veja Concordância Verbal no ENEM e Interpretação de Texto no ENEM. Para aplicar corretamente na redação, leia A verdade sobre a redação nota 1000 do ENEM.

Perguntas frequentes

Crase cai diretamente no ENEM?

Sim, mas geralmente integrada a questões de língua culta, reescrita ou análise de textos. O ENEM raramente pergunta 'use ou não use a crase' de forma isolada — o contexto textual é sempre o foco.

Há crase antes de 'terra', 'casa' e 'distância'?

Depende do uso. 'Voltei a terra' (sem artigo, sentido geral — lugar de origem) vs. 'Voltei à terra natal' (com artigo, substantivo determinado). 'Fui a casa' (sem artigo, no sentido de 'para casa', expressão idiomática) vs. 'Fui à casa da Maria' (com artigo definido → crase).

Após 'até' tem crase?

Facultativa. 'Fui até a/à praia' — ambas corretas. O mais comum na norma culta contemporânea é não usar a crase após 'até', mas a forma com crase também é aceita.

Como treinar crase para o ENEM?

Pratique o teste da substituição (masculino/feminino) em frases variadas. Leia textos de qualidade (jornais, literatura) prestando atenção no uso do acento grave. E resolva questões de provas anteriores do ENEM — a repetição de padrões revela o que a banca realmente cobra.

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