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PERÍODO COMPOSTO I – ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

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PERÍODO COMPOSTO I – ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS

Aprenda sobre Orações Subordinadas Substantivas. 

PLANO FRÁSICO

Podemos entender o plano frásico da língua por meio de sua organização, na qual termos são compostos por elementos menores, com diversas funções. Essa organização apresenta as chamadas taxis, que em grego significa “arranjo”; assim a “sintaxe” seria o estudo de todos esses “arranjos” combinados. Em uma análise mais detida, percebemos que as taxis correspondem a camadas, e essas diversas camadas são chamadas em português de estratos ou ordens.

Não são raros os casos em que se utiliza um termo de uma camada com valor de outra camada. Essas relações de ordem é que originam os termos coordenação, isto é, uma relação em que os termos estão na mesma ordem ou nível; e subordinação, isto é uma “sub” ordem, na qual um dos termos encontra-se utilizado em camada inferior.

A subordinação, correspondente à hipotaxe, consiste na passagem de um termo de um nível superior para um estrato inferior. Tome-se como exemplo a oração “choverá amanhã”. Esta oração guarda independência, pode aparecer em um parágrafo ou em um texto, por exemplo. Já em “Não sei se choverá amanhã” ou “Acho que choverá amanhã”, a mesma oração passou a ser utilizada como termo da outra oração (no caso, o objeto dos verbos “sei” e “acho”), ou seja, funcionando como se fosse um substantivo. É esta mudança de nível a que se dá o nome de hipotaxe. É como se essa oração fosse “rebaixada” a uma função sintática exercida por uma classe de palavra.
A superordenação é a passagem inversa: um termo de um nível inferior funcionando como estrutura superior, por isso o termo hipertaxe também pode ser usado para defini-lo. Pode-se exemplificar de tal forma: um sufixo “-ção”, por exemplo, funcionando em um discurso como uma palavra, como em:

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– Escreve-se absolvição ou absolvimento?
– ção.

Fica claro, neste caso, que o sufixo assumiu o valor de palavra, valendo como se fosse uma estrutura de camada superior.

A parataxe, que corresponderia à nossa coordenação, representa a condição de sentenças ou termos que não guardam entre si dependência sintática, isto é, funcionam como estruturas equivalentes, sequenciais, combinando-se de forma a construir relações de dependência comuns a estruturas simples desse mesmo estrato. Veja o exemplo abaixo:

Ricos homens e lindas mulheres visitaram os bastidores da fórmula 1.

Os termos “ricos homens” e “lindas mulheres” funcionam como uma única estrutura combinada, de valor equivalente. Seus termos estão em sequência desempenhando igual função de sujeito. Isto também acontece com orações que guardam sua autonomia sintática, por isso são chamadas coordenadas.

PERÍODO COMPOSTO POR SUBORDINAÇÃO

Caracteriza-se pela dependência sintática entre as orações. Possui sempre uma oração principal trazendo presa a si uma ou mais orações dependentes, que desempenham uma função sintática. Desta forma, a oração subordinada encontra-se em uma camada inferior, representando o papel típico de uma classe de palavra, por isso, apresenta típicos valores de substantivo, adjetivo ou advérbio.

“Não permita deus [que eu morra]
[Sem que eu volte pra lá]”
(Gonçalves Dias)

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POR QUE A ORAÇÃO SUBORDINADA É SUBSTANTIVA?

Orações subordinadas são aquelas que representam uma camada inferior, isto é, exercem uma função sintática típica de palavra em relação à oração principal. A classificação dessas orações segue a análise sintática do período simples, por isso, a classe de palavra representada pela oração ganha seu nome. Assim, quando dizemos que uma oração é substantiva é porque ela representa uma função sintática típica de um substantivo. Vejamos os exemplos abaixo:

Ainda espero o teu abraço.

Nesta oração, o termo o teu abraço funciona como o objeto direto do verbo esperar. O núcleo desse objeto é representado pelo substantivo abraço.

Ainda espero que me abraces.

No período composto acima, a oração “que me abraces” exerce a mesma função do termo o teu abraço da oração anterior. Assim, pode-se dizer que é uma oração que funciona como o objeto direto do verbo esperar. Ora, como o núcleo do objeto direto é um substantivo, não é difícil entender por que a oração classifica-se como substantiva.

O pomposo nome de oração subordinada substantiva objetiva direta explica-se esquematicamente:

As orações substantivas classificam-se, segundo a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) em seis tipos: subjetivas, predicativas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais e apositivas.

APRESENTAÇÃO DAS ORAÇÕES SUBSTANTIVAS

Uma oração substantiva pode apresentar-se em sua forma desenvolvida, podendo ligar-se à principal por conjunção ou de forma direta; ou em sua forma reduzida, quando apresenta um verbo no infinitivo, por muitas vezes precedido por preposição.

As orações desenvolvidas conexas são introduzidas por conjunção integrante (que ou se):

Peço [que me perdoe.]
Perguntei [se havia alguém na casa.]

Algumas outras orações mostram-se justapostas, introduzidas não por conjunção, mas por pronome indefinido, pronome ou advérbio interrogativo ou exclamativo:

[Quem tudo quer] tudo perde.
Não sei [como contarei a história].
Perguntei [por que agia daquela maneira].

Ora, como as orações correspondem a substantivos, é possível identificá-las pela sua substituição por um pronome (este ou isto), facilitando sua identificação. Veja como isso é possível, a partir dos exemplos já dados:

Peço [isto.]
Perguntei [isto.]
[este] tudo perde.
Não sei [isto].
Perguntei [isto].

CLASSIFICANDO AS ORAÇÕES SUBORDINADAS

ORAÇÕES SUBORDINADAS SUBSTANTIVAS SUBJETIVAS

São aquelas que funcionam como o sujeito do verbo da oração principal que, obrigatoriamente, estará na terceira pessoa do singular.

Parecia [que a lua também se apaixonara por você.]
or. sub. subst. subjetiva

É importante ressaltar que algumas construções verbais têm normalmente como sujeito uma oração subordinada. Assim, ao observar a oração principal, veja se ela se inclui em um dos casos abaixo:

a) Verbo na voz passiva:

Sabe-se [que ele esconde seu dinheiro no colchão.]
Foi falado [que ele escondia seu dinheiro no colchão.]

b) Construção de verbo ser/estar seguido de substantivo/adjetivo:

É claro [que conseguiremos.]
Está certo [que vamos à praia amanhã?]

c) Verbos do tipo acontecer, constar, convir, cumprir, importar, ocorrer, parecer, urgir etc.

Convém [que voltemos para casa.]
Acontece [que ninguém está a salvo dos perigos da noite.]

Orações subordinadas substantivas predicativas

Equivalem ao predicativo do sujeito da oração principal. Desta maneira, temos como obrigatória a presença de um verbo de ligação na oração principal.

A conclusão é que ficamos para trás.
A sorte é que eu estava preparado

OBSERVAÇÃO

CUIDADO!

As orações subjetivas e predicativas podem gerar confusão entre si. Tal problema é desfeito quando prestamos atenção à posição dos termos na oração:

É verdade [que o assunto é difícil.]
or. sub. subst. subjetiva

A verdade [é que o assunto é difícil.]
or. sub. subst. predicative

Esquematizando a diferença, temos:

verbo de ligação + substantivo = oração subjetiva

substantivo + verbo de ligação = oração predicativa

Orações subordinadas substantivas objetivas diretas

Complementam o sentido do verbo transitivo direto da oração principal.

Não me perguntem [se estou triste].

Orações subordinadas substantivas objetivas indiretas

Complementam o sentido do verbo transitivo indireto da oração principal. Coloquialmente, a preposição que normalmente introduz o objeto indireto pode ser omitida:

Nepomuceno lembrou-se [de que a menina não gostava dele].

Lembre-se [que a vida é curta].

Orações subordinadas substantivas completivas nominais

Funcionam como o complemento nominal de um termo da oração principal. Assim como as objetivas
indiretas, podem também ter a preposição omitida por que normalmente são introduzidas.

Tinha certeza [de que voltarias].

Tenho a sensação [que tudo acabou].

Orações subordinadas substantivas apositivas

Funcionam como o aposto de um termo da oração principal. Vem, normalmente, introduzida por pausa, em geral, representada por dois pontos. Pode ter omitida sua conjunção integrante.

Todos já sabiam a verdade: [que ele era o pai do menino].

Uma coisa me intrigava: [ele havia mentido].

As orações apositivas não permitem sua substituição pelos pronomes isto, este ou aquele. Assim, a facilidade metodológica de identificação das substantivas falha no caso desse tipo de oração.

OBSERVAÇÕES À NGB

Algumas das funções do substantivo podem ser representadas por orações, mas não ter sua classificação reconhecida pela Nomenclatura. É o caso do agente da passiva, uma função típica de substantivo que pode ser representada por oração subordinada:

A crítica foi escrita [por quem entende de samba].

É evidente que a oração exerce o papel de agente da passiva, apesar de não reconhecida tal classificação. Alguns gramáticos propõem para esses casos o desmembramento do pronome “quem”, transformando a oração substantiva em adjetiva. Propor tal classificação para a oração soa forçado, como vemos abaixo:

A crítica foi escrita por aqueles [que entendem de samba].

A transformação da oração substantiva em adjetiva não parece eficaz, já que, além de artificial, não representa de maneira fiel o sentido pleno do período anterior (“quem” fornece uma ideia indefinida que não permite a substituição por aquele/aqueles sem perda do sentido original).

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